Edição n. 358 - 6 de fevereiro de 2010

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2010, ano de luta

Em minha última coluna escrevi que 2010 seria um ano de desafios. O que observamos neste primeiro mês nos permite dizer que, em verdade, será um ano de enfrentamentos. Faço referência a três situações. A primeira, de âmbito nacional, foi a reação descabida de setores retrógrados da sociedade brasileira contra o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos. A segunda diz respeito à onda de prisões de dirigentes do MST inclusive em SC. Uma afronta ao estado de direito. E a terceira, de âmbito local, é a privatização do esgoto. São situações que demonstram claramente que, em 2010, os setores conservadores estão dispostos a fazer valer seus interesses e princípios. Para os setores democráticos e populares, resta a esperança da resistência e da ação coletiva.
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Cheirando mal

O Governo Municipal deu continuidade ao processo de privatização dos serviços de coleta e tratamento do esgoto na cidade. Alegando ter realizado uma ampla consulta pública e obtendo o apoio da população, publicou novo edital. Avaliando as principais diferenças entre o edital antigo e o novo o que se percebe é que o governo consultou a população mais ouviu somente os setores privados interessados em participar do certame. Não pode ser outra a justificativa para a previsão do aumento da tarifa do esgoto para 100% da tarifa da água. Em qual manifestação popular esta proposta foi apresentada? Além disso. O edital prevê que a empresa concessionária terá o direito de uso de patrimônio público (investimento de mais de R$ 50 milhões) pagando apenas R$ 12 milhões. Por uma concessão de 35 anos, a concessionária irá arrecadar mais de R$ 1,8 bilhão (mais de R4 51 milhões ano). O investimento será pago em seis anos e a empresa ficará mais 29 anos com direito de exploração do serviço. Um típico exemplo de como funciona a acumulação capitalista nos dias de hoje.
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Há alternativa

O Comitê Contra a Privatização do Esgoto tem demonstrado claramente que existem alternativas para a implantação universal do serviço do esgoto na cidade. O Plano Nacional de Saneamento prevê aumento dos investimentos públicos nesta área. O Município já conta com recursos que permitem a implantação imediata de 20% da infraestrutura necessária. O Samae é uma empresa pública reconhecida nacionalmente pela capacidade de realizar investimentos e prestar serviços de qualidade, apesar das investidas para fragilizá-lo. O saneamento básico é um direito e um bem público e assim deve ser considerado. Não há nenhum argumento racional que justifique a privatização. Somente fundamentos ideológicos e as possibilidades de favorecimentos escusos que reiteradamente se manifestam nestas situações.


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