Edição n. 419 - 08 de setembro de 2010

[edição 297]
Colonização da Amazônia

Afastando-me um pouco do discurso re-ocorrente de que o desmatamento e o aquecimento global são os males reais e potenciais que rondam a Amazônia, lembro de um perigo atual e pouco discutido, que é a crescente presença dos Estados Unidos na América do Sul. A renovação de acordo militar com a Colômbia, para combater os narcotraficantes, prevê, além da manutenção das três bases aéreas atuais, a utilização de mais quatro bases militares, duas do Exército e duas navais. Isto sem esquecer a ampliação para US$ 74 milhões dos recursos aprovados no Congresso americano, para “financiamento, treinamento e operações anti-terrorismo”. Desta forma, um avião militar americano pode decolar, ir à Brasília e voltar, sem reabastecimento, por exemplo.
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Intervenção americana

O governo da Venezuela foi o primeiro que chiou com a ampliação do chamado Plano Colômbia, seguido pelos governos do Brasil e do Equador. A Venezuela iniciou uma corrida armamentista, aproximando-se da Rússia e do Irã, acrescentando um tempero exótico na visão antiamericana propalada pelo presidente, Hugo Chávez. A chancelaria brasileira receia o raio de ação dos aviões americanos, quer saber se o comando das novas bases será americano ou colombiano e o Ministério da Defesa anuncia esta semana o re-aparelhamento da Força Aérea Brasileira, um investimento que pode chegar a R$ 8 bilhões. Por sua vez, o Equador teme, como ocorreu recentemente, que aconteçam invasões armadas ao seu território pelo Exército colombiano, alegando combaterem acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), considerado o inimigo principal a ser destruído pelos colombianos. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, iniciou esta semana uma cruzada diplomática pelos países sul americanos, visitando Peru, Argentina, Paraguai e Chile, buscando explicar a natureza da renovação do acordo militar com os Estados Unidos.
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O outro lado

De concreto, constata-se que Obama ampliou em mais de US$ 17 milhões a verba para contrainsurgência para 2010, comparada pela aprovada por Bush para 2009. Em paralelo, o Comando Sul do Exército americano realizou esta semana uma reunião com diversos generais sul americanos na cidade de Cartagena, no litoral do caribe colombiano, para dizer que a história das bases não é bem assim. O Brasil não enviou nenhum militar ou diplomata para o encontro, demonstrando sutil insatisfação. Teme-se que argumentos, como a existência das armas químicas no Iraque de Hussein, sirvam de fundamento para intervenções armadas na Amazônia, que representa 61% do território brasileiro.


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