Edição n. 418 - 04 de setembro de 2010

[edição 302]
Mamãe eu quero mamar

A campanha para as eleições parlamentares na Alemanha tornou-se picante, com a exibição de cartaz onde a chanceler Angela Merkel e outra candidata do partido, Vera Lengsfeld, figuram com amplo decote, mostrando parte dos seios, com a inscrição: “Nós temos mais a oferecer”. Independente do apelo publicitário exótico na busca de votos, o evento revela diferenças culturais distintas, algumas das quais nós, descendentes de Tupinambás, só recentemente damos importância. Falo da valorização e erotização da mama em nossa sociedade, onde se pode até escolher o volume e forma, através de implante de silicone, ou realçar com o uso de soutiens rendados, aparecendo junto com blusas. Abraços e apreciações à parte, importa considerar as várias determinações presentes no fato.
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Pão e vinho

Presenciamos um duplo aspecto na questão da mama, que remete à alimentação infantil, mas também a algumas sinecuras em alguns cargos públicos, que aparentemente tem uma remuneração superior do que funções semelhantes no setor privado. São as chamadas chupetas, muito disputadas por alguns políticos e apadrinhados. Ou seja, a mama providencia a alimentação, quer no sentido concreto ou no figurado. Por outro lado, fala-se da pessoa embriagada como estando mamada, numa outra alusão a uma alimentação do espírito. No Brasil colonial, convivia-se abertamente com índias e negras com seios à mostra. Havia também a ama de leite, substituta eventual na alimentação dos filhos de senhores de engenho. A valorização simbólica do seio, acredito, é um traço cultural que importamos da Europa, nos séculos 18 e 19, quando as vestes da corte deixavam entrever parte da mama. Uma decorrência desta influência, foi a atribuição de função erótica, constituição de uma zona de prazer. Este prazer expressa-se tanto no mostrar-se como no criar a expectativa de ver, variando de acordo com os gêneros e com as situações.
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Arame farpado

Estamos a mais de 13 meses das eleições presidenciais, mas várias candidaturas já se apresentam, outras ensaiam voo e todas são atacadas frontal ou lateralmente. O Governo Federal vai investir R$ 1,2 bilhão em publicidade este ano, a Presidência da República realizou mais R$ 15,7 milhões em gastos secretos até julho passado, por meio de cartões corporativos. A possibilidade de utilizar, entre outras coisas, os recursos da máquina federal, de nomear afilhados para diversos cargos de provimento, faz surgir coligações partidárias que antigamente seriam consideradas bizarras. É como um cruzamento de jararaca com porco espinho, que faz surgir arame farpado.


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