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[edição 305] A cunha Marina Silva
A Senadora Marina Silva quebra a polarização entre a candidatura do PSDB, José Serra provavelmente, e do PT, Dilma Rousseff, presumivelmente. Até agora o jogo era aquilo que a imprensa chama de “eleição plebiscitária”, um mano-a-mano entre candidato da oposição e do governo.
Era isso que Lula queria. Postas as coisas assim, é mais fácil jogar o peso da sua popularidade a favor da candidata. Com Marina o plebiscito fica melado. E ela produz mais um efeito corrosivo nas trincheiras do presidente e do PT. Para as pauladas que viessem do José Serra, haveria resposta pronta: “isso é falatório da oposição”.
Já com Marina Silva, fica mais complicado porque ela sempre foi do mesmo time. E, como dizem no nosso interior, a pior cunha é a que vem da própria árvore. |
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[edição 305] Dois sambas de uma nota só
O senador Cristovam Buarque é um homem respeitado e já foi uma vez candidato a presidente da República. Sua candidatura, porém, não deu em nada porque ele era o candidato de uma nota só: só falava em educação. O tema é importantíssimo, mas ninguém consegue atravessar uma campanha inteira falando de um único assunto.
O País precisa que suas crianças e jovens aprendam mais e melhor, mas precisa igualmente de saúde, estradas, energia, paz e segurança. Marina Silva também é vista como uma política de um só tema: o meio ambiente. É outra prioridade vital para o País e o mundo, mas também não é só disso que os brasileiros precisam. É bom que Marina tenha isso em mente.
E outra coisa: como o PV é um partido pequeno, terá pouco tempo de televisão. Para ter alguma chance de crescer durante a campanha, Marina vai precisar de uma boa coligação, terá de seduzir outros partidos médios e pequenos que lhe forneçam o necessário tempo de TV. Sem isso ela corre o risco de não fazer uma figura mais bonita do que fizeram o Cristovam Buarque e a Heloisa Helena. |
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[edição 305] A inimiga da perfeição
Uma reforma política que valha a pena tem de cortar a influência do dinheiro nas eleições. O voto distrital resolveria, mas não se cogita isso no Congresso. Mais viável é o voto em lista fechada com financiamento público de campanhas.
A solução requer, portanto, que os atuais deputados, eleitos por um sistema, topem trocá-lo por outro. A tentativa feita no primeiro semestre deu em nada por causa da pressa. Queriam aplicar as novidades já no ano que vem. Se já é difícil mudar a forma de jogar o jogo, imagina muda-la para logo ali.
Agora surgiu a ideia de votar tudo de novo, mas para valer lá nas eleições de 2012 ou 2014. Este é o jeito de fazer uma reforma de verdade, que nos livre de um sistema em que o dinheiro tem mais peso que as qualidades dos candidatos. |
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