Edição n. 419 - 08 de setembro de 2010

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A elite...

Originalmente a palavra elite tinha a ver com produtos de qualidade excepcional, posteriormente se transformou em conceito político e sociológico com Gaetano Mosca (“A teoria das elites”), com Vilfredo Pareto e sua “Teoria da circulação das elites” e ainda com Robert Michels e a “Lei de ferro da oligarquia”, entre outros. Mas foi o embricamento do termo com a ideia de dominação que gerou o elitismo - maneira peculiar de examinar a realidade, a partir de uma “janela” própria de quem “tem muito” e acha que tudo sabe e tudo pode, e por isso supõe que quem “tem pouco”, não sabe o que quer, não sabe dizer quais são as suas prioridades, não sabe votar e, portanto, é irresponsável, precisa ser “orientado”. Trata-se de uma visão eivada de arrogância e preconceito.
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Seus representantes...

Demóstenes na Atenas de 330 a.C. disse a Ésquines: “quando menino, você foi criado em extrema pobreza, servindo com seu pai em sua escola, moendo tinta, limpando os bancos, varrendo as salas, fazendo as obrigações de um criado, ao contrário de um homem nascido livre”. O ateniense serve de inspiração aos elitistas de hoje que gostam de se referir ao presidente Lula como alguém que “veio do nada”. A elite equivocada e seguidores, inclusive os da nossa província, costumam também alardear que o presidente não “fez faculdade” e, por extensão, insinuam que ele desdenha a formação superior. Inquirido por uma criança sobre “até que ponto é verdade que não lê jornais e tem desprezo pelo conhecimento e pelo saber”, Lula relatou que recebe todas as manhãs um resumo do que foi publicado pela imprensa, e sobre a importância da educação formal foi muito objetivo: “Em meu governo, estamos criando 14 novas universidades, 104 extensões universitárias, concedemos 540 mil bolsas de estudos para curso superior a jovens de baixa renda, duplicamos o ingresso de estudantes nas universidades federais e estamos construindo 214 escolas técnicas”. É isso aí!
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E sua estratégia

A oposição (e a grande mídia) sempre apostou no desgaste do governo. Inflaram crises, apostaram no “quanto pior, melhor” e agora até a “Veja”, sempre tão crítica, reconhece que a reação do governo foi decisiva para a superação da crise global. De fato, o BC liberou reservas para financiar exportadores, reduziu o compulsório e cortou cinco pontos percentuais na taxa Selic. A desoneração de impostos estimulou a compra de material de construção, automóveis e eletrodomésticos, garantindo um ritmo razoável de produção. Não houve descontrole de inflação e nem das contas públicas. Como o caos não ocorreu, à oposição (e aos acólitos) resta argumentar que o governo nada fez, apenas se deixou levar pela sorte ou então que se inspirou no “iluminado” governo FHC.


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