Edição n. 419 - 08 de setembro de 2010

[edição 315]
João fez, Luiz pode?

O livro “1808”, de Laurentino Gomes, conta as peripécias da vinda da família real para o Brasil e as estripulias que a portuguesada cometeu nos 13 anos em que ficou no Rio de Janeiro. Costuma-se dizer que, no Brasil, corrupção e bagunça administrativa não são novidades, que sempre existiram. Isso é inegável. Mas, o fato não deve servir de pretexto para que se continue, ano após ano, século após século, fazendo a mesma coisa. A cultura oficial do Brasil de hoje preceitua que todos podem fazer qualquer coisa desde que tal coisa já tenha sido feita no passado. Não é assim. Não é porque a Corte de Dom João VI fazia suas lambanças dois séculos atrás que os governantes de hoje estão liberados para se lambuzarem também. Erros do passado devem ensinar, não devem deseducar.
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Lambanças do passado e do presente

Era a origem, na nossa história, de uma categoria especial de pilantras: os ladrões de galinha que usavam colarinhos brancos. Como havia que alimentar aqueles 15 mil portugueses que aqui desembarcaram, a despensa real, chamada “ucharia”, comprava toda a produção de galinhas do Rio de Janeiro. Era um sofrimento para a povo. Ninguém encontrava um mísero franguinho magro para fazer uma canja. E os insatisfeitos não ficaram quietos. Consta dos arquivos históricos, cartas de cidadãos brasileiros reclamando a indisponibilidade desse alimento no mercado. E, mais ainda, o fato de que, quando havia galinha, era vendida por funcionários da ucharia e a preços muito mais altos que os normais. Esse episódio demonstra que 201 anos atrás o pessoal do governo comprava galinha a preço baixo e com dinheiro público, para depois revender, por preço maior e com retorno para seus bolsos particulares. Era a origem, na nossa história, de uma categoria especial de pilantras: os ladrões de galinha que usavam colarinhos brancos. Dom João VI provavelmente não era desonesto se considerado pelos padrões atuais. Mas, fazia vistas grossas para as trampolinagens que corriam à sua volta. Hoje em dia, na Corte de Dom Lula Primeiro, não é muito diferente.
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Pior que o soneto

A aguerrida batalha dos suplentes de vereadores pelo aumento de vagas talvez tenha provocado muito barulho por nada. Tanto o presidente do TSE quanto o do STF são contrários à posse dos atuais suplentes. E o raciocínio é simples: a lei não pode retroagir para alterar regras da eleição passada. Pode alterar o futuro: em 2012 Blumenau terá 21 vagas para vereadores. Mas, no ano passado a regra não era essa. Tínhamos 15 vereadores e isso não pode ser mudado por uma lei feita agora. E, tem mais encrenca: se a emenda retroagir, serão refeitos os cálculos de proporcionalidade para definir o número de vagas por partido. E, feitas as novas contas, vereadores hoje titulares poderão perder seus mandatos.


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