Edição n. 418 - 04 de setembro de 2010

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Fonte de maus exemplos

O presidente Lula tem tido, com frequência, atitudes que não estão à altura do seu cargo e da sua imensa popularidade. Alguém tão importante e tão queridoA pelo povo deveria ser uma fonte de inspiração, de bons exemplos, especialmente para os mais jovens. Mas, Lula não parece levar isso muito a sério. Vez por outra ele nos surpreende elogiando José Sarney, Renan Calheiros, Collor ou Severino Cavalcanti. Felizmente ainda não chegou até o Hildebrando Pascoal. Mas, para quase tudo que há de ruim na política, ele encontra uma desculpa e uma palavra de alento: diz que isso já foi feito antes, ou que todo mundo faz a mesma coisa, que não é bem assim como estão dizendo. Ele desculpa o erro e afirma que o político errado é um coitadinho perseguido pela imprensa.
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Pela valorização dos encrencados

A mais recente empreitada presidencial pela valorização dos encrencados é a indicação do advogado José Antonio Toffoli para ministro do Supremo Tribunal Federal. Pouca coisa no País é tão importante como isso. São os juizes do STF que decidem os casos jurídicos mais importantes. E Lula indicou para esse olimpo da magistratura um advogado duas vezes reprovado no exame para juiz estadual, comum, de primeira instância. E, como se não bastasse o currículo pitoco, tem duas condenações por irregularidades em seus contratos de advocacia. Lula diz que tudo isso “é besteira”. E explica os méritos de seu afilhado: ele sempre defendeu bem o PT e os principais políticos do PT. Essa é a principal qualificação do indicado. O problema é que Dr. Toffoli, no STF, terá de julgar o caso do mensalão no qual são réus esses mesmos clientes e companheiros. Os requisitos para ser juiz do Supremo são o notório saber jurídico e a reputação ilibada. Aparentemente Toffoli não tem nem uma coisa nem outra. E nem isenção. Mas, Lula o defende com unhas e dentes. Mais um caso de mau exemplo, patrocinado por quem deveria dar os melhores exemplos.
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Excitação primaveril

O início da primavera abre a temporada da infidelidade, a época de pular a cerca e procurar novos acertos. Tudo dentro das quatro paredes da política. Como a lei exige que a pessoa que vai disputar cargo eletivo esteja filiada um ano antes da eleição, os partidos correm atrás dos candidatos e esses procuram quem lhes ofereça melhor possibilidade de se eleger. Junta-se a vontade de comer com a vontade de beber e é celebrada a cerimônia da traição. A infidelidade vigorou forte até 2007. Aí o TSE decidiu: político com mandato, que troca de partido, perde o cargo. Saiu, dançou. Graças a isso, estamos tendo um início de primavera mais calmo este ano. Vai haver transferência, mas praticamente só de quem não tem mandato. A política ficou um pouco mais civilizada.


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