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[edição 327] Amores antigos
Encontrei, neste feriadão de outubro, uma mulher que não via há mais de 25 anos, através de uma destas redes sociais que permeiam a internet.
Semelhante à história de muitas vida, Maria do Carmo amou, apaixonou, casou-se e separou-se, trabalhou, sorriu e até chorou, mas não necessariamente nesta ordem. A proposta inicial de apenas um bate-papo com chope e amendoim, ao final da tarde, evoluiu para uma rememoração de antigas vivências de nossa juventude, na margem Norte do rio Amazonas, quando o Amapá ainda não conhecia o Sarney.
As lembranças se estenderam pela noite, com direito à madrugada de festa na avenida Ipiranga, almoço na Liberdade, e a conversa se estendeu pelo fim de semana, numa Paulicéia que não estava tão fria. |
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[edição 327] Lições da vida
Ninguém está livre de circunstancialmente se apaixonar, mas pode buscar alguns limites a este estado de espírito, por conta dos eventos anteriores, me contou ela. Alguns lugares e o passar do tempo nos dão experiência e melhor referência, frente aos desafios da vida, inclusive no trabalho e no amor.
Mas que ainda tem motivação para fazer acontecer um desejo, tem a sabedoria para evitar repetir atos inadequados e tem um quê de racionalidade para, eventualmente, duvidar de todas estas afirmações.
Pela experiência, ela descobriu que amar, mesmo unilateralmente, não é suficiente para fazer um relacionamento perdurar. Aprendeu nos relacionamentos que teve que as expectativas não explicitadas, uma vez não efetivadas, geram decepções incontornáveis.
Acha que mesmo acreditando no amor, o estilo de vida que leva em São Paulo, não comporta mais matrimônios tipo papai e mamãe. Para ela, mudar estas suas percepções fica para outra existência, outro estado ou algumas férias. Mas que com todo este aparente ceticismo, ainda aposta na vida, tem esperança num mundo melhor, que talvez possa até amar.
Refletindo sobre suas palavras e vivências, acho que elas talvez sirvam também para outras cidades ou vidas. |
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[edição 327] Voltar aos 17
O paulistano Mário de Andrade escrevia que amar é um verbo intransitivo, algo que não se pode passar para outro ou transmitir. Por vezes, pode até ocorrer a dois, mas é experiência pessoal. Ou, como cantava Mercedes Sosa, o amor é um torvelinho de pureza original, é como voltar aos 17 anos, depois de viver um século.
Mas o tempo passa, aprendemos com nossos atos. olhamos criticamente as experiências em que amar é quase sonho, às vezes acordamos e encaramos um mundo real. Nestes momentos, recorremos à sabedoria e à serenidade para, com os pés no chão, ter coragem para sonhar.
Assumir a fragilidade e o caráter de impermanência da condição humana agradecer à vida. |
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