Edição n. 419 - 08 de setembro de 2010

[edição 332]
A comunicação necessária

O mundo que vivemos neste início de milênio, segundo o sociólogo Manuel Castells, tem presença preponderante das tecnologias da informação e da comunicação, com as organizações e empresas atuando numa teia de relações e processos, uma sociedade em rede. Nesta nova forma de organização social, as decisões mercadológicas, financeiras, empresariais e muitas outras, são tomadas no outro lado do mundo ou em outro continente e causam resposta em tempo real na nossa vida, agora. Frente aos desafios de entender, interferir e participar deste acelerado processo de mudanças, o Brasil tem a tarefa de definir sua posição em relação a estas questões, sobre que modelo de comunicação deve adotar, com a necessária autonomia e independência, para não perder o bonde da história.
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Interesse público

O Governo Federal convocou para meados de dezembro a Conferência Nacional de Comunicação, resultante das conferências estaduais e municipais que estão ocorrendo Brasil afora. Participam os diversos atores dos setores envolvidos com a questão: trabalhadores de comunicação, proprietários e concessionários dos meios de comunicação de massa, representantes do Poder Público e a população, usuária final de todos os serviços de comunicação. Esta discussão, que polariza inclusive interesses de classe sobre as questões de comunicação, ficou em banho-maria desde a Constituição de 1988, porque nunca interessou discutir o modelo e a propriedade dos meios no País. Reunidos recentemente em São Paulo, representantes de diversas centrais sindicais, apresentaram propostas de interesse dos trabalhadores para a conferência. Entre elas, está o fortalecimento da rede pública de comunicação, o estabelecimento de um novo marco regulatório para o setor, a ampliação da inclusão digital, com banda larga para todos, definição de novos critérios para a publicidade oficial que, só este ano, o Gverno Federal deve investir R$ 1,2 bilhão de reais.
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Controle social

Outras propostas para a conferência têm impacto direto no nosso cotidiano, tais como a discussão das formas de concessão dos meios eletrônicos de comunicação, bem como a possibilidade do exercício do controle social sobre estes meios. A concessão, exercida por indicação da Câmara dos Deputados, é renovada cartorialmente de forma quase automática, sem que se verifique o cumprimento da legislação pertinente, tornando quase privado um bem público. Por sua vez, o controle dos meios remete ao que me interessa ouvir ou assistir nos meios eletrônicos, não discutindo apenas faixas de horário para cada idade de público. Talvez assim avancemos no rumo da cidadania sonhada pelos constituintes, talvez tenhamos o poder de decidir.


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