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[edição 344] A beleza
Os gregos afirmavam que o caminho da felicidade vai ao encontro do belo, do verdadeiro, do bom e do útil, nessa ordem. A modernidade parece valorizar as mesmas coisas, porém em ordem diferente.
Agora se vive sob o império do útil, depois vem o belo e finalmente o bom. E o verdadeiro? Bem, a verdade foi para o fundo do poço sem fundo (que o digam os balanços de certas companhias e a atuação de alguns políticos).
A noção de beleza também mudou muito. Desde corpos de magreza quase esquelética e, que me perdoem os profissionais da construção civil, à estética deformada das edificações modernas. Belas casas são demolidas, todos os dias, para dar lugar a monstrengos de cimento e aço, alumínio escurecido e vidros de pouca transparência. É o progresso! |
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[edição 344] A justiça social
O mundo é como um grande e envidraçado salão de banquetes. A elite senta-se à mesa, servidos e protegidos por uma grande classe média, ciosa e cuidadosa com a sua posição supostamente privilegiada, enquanto a imensa maioria do povo assiste a tudo do lado de fora.
A elite se esbalda, a classe média não quer perder posição e pose, enquanto o povão, nariz achatado contra a vidraça que o separa do regalo, quer entrar.
Preconceito racial, social, cultural, político e econômico alimenta a superioridade dos ricos e arremedados, mas engendra o medo do novo, da reforma e do povo. E se o povão de repente achar a chave e conseguir penetrar nesse salão? Ou se os inconformados vislumbrarem que esta não é necessariamente a única ordem?
A chave para a redução das desigualdades é um novo modelo de desenvolvimento. Segundo o professor Cláudio Dedecca, da Unicamp, o Brasil estaria no caminho, em função dos programas sociais. Afirma que “fomos o único país dentre os desenvolvidos e em desenvolvimento que conhecemos a redução da desigualdade”.
Entretanto há os que insistem: “é preciso ensinar a pescar”. Terão forças para suportar o caniço? |
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[edição 344] E Blumenau?
Enquanto isso a “loura Blumenau” planta flores para esconder as mazelas e bizarrices e faz festa (o que é muito bom) em homenagem a quem sofreu ou lutou na novembrada de 2008.
Mas, longe dos olhares visitantes, porém, presente no coração dos periféricos, a urbe continua esburacada, suja, quase feia. Nos confins da Antônio Zendron ou ao longo da “reurbanizada” Amazonas, para citar umas poucas vias, os buracos, o mato, os aterros irresponsáveis e as obras eleitoreiras inacabadas ainda estão lá, ululantes, no cotidiano da nossa gente.
E o povo dos abrigos? Mais de 1 mil seres humanos em condições precárias. A esperança se esvaindo pelos vãos e desvãos da burocracia e do proselitismo. Bem, talvez eles sejam homenageados na próxima “festa”. |
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