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[edição 347] Paciência na estrada
Retornando esta semana de Rio do Sul, sorri quando vi a placa indicativa de que Blumenau estava a 85 quilômetros, pois levei duas horas no percurso da subida. A estrada, com alguns trechos em recuperação, tinha um tráfego intenso, com muitos caminhões e alguns apressadinhos.
Como não tinha pressa, ousei pensar sobre as vicissitudes do trânsito, tal como Robert Pirsig, em Zen ou a arte da manutenção de motocicletas. Neste livro, o personagem atravessa os Estados Unidos numa moto com o filho na garupa, ponderando sobre a vida e as ocorrências, como se Heráclito fosse.
Num trecho, reflete que, em viagem de carro, a realidade se nos apresenta como uma imagem de TV, bidimensional, enquanto numa motocicleta, a realidade lhe envolve, a 120 Km/hora, o chão está a 15 centímetros da sola do pé e é real. |
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[edição 347] Sem planos
Lemos ao início de cada semana um número variável de mortos em acidentes nas estradas catarinenses e, após feriados prolongados, um outro número nos telejornais brasileiros.
Autoridades rodoviárias afirmam que essas ocorrências devem-se, principalmente, à imprudência e imperícia dos motoristas. Por sua vez, motoristas reclamam do estado das estradas, do excesso de veículos e das poucas alternativas de circulação.
O governo apresenta cifras do que está investindo na construção e recuperação de estradas, do endurecimento da legislação para coibir motoristas incautos, do aumento de efetivo na fiscalização.
Todavia, ninguém se responsabiliza pelas mortes, os Departamentos de Trânsito não têm estatísticas confiáveis sobre estes óbitos, recorrendo-se hoje a registros do Ministério da Saúde. Estamos em plena guerra, com inúmeros mortos desconhecidos, como os civis mortos na guerra do Iraque - sabe-se com segurança apenas o número de estadunidenses mortos.
No caso catarinense, a paciência deve ser redobrada, pois até a BR-101, no trecho duplicado, está semanalmente sofrendo reformas, apesar dos pedágios instalados. Isto é um fato real. |
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[edição 347] Contramão
O prefeito João Paulo Kleinübing (DEM) parece que atendeu a assessores de ideias asininas ao cogitar construir um tipo ilegal de uma nova avenida Beira-rio, na margem esquerda do rio Itajaí, em Blumenau.
É ilegal, pois contraria o Código Florestal, que limita construções a determinados metros de rios, como ele bem sabe devido ao embargo judicial de construção no bairro Boa Vista.
A proposta ofende também quem teve, recentemente, a casa alagada, pois criaria um novo muro na margem do rio, que escaparia, talvez, para o bairro Garcia.A proposta implica na destruição de 4 mil metros quadrados de mata ciliar, que acabaria com o habitat de 400 espécies de aves catalogadas na região. O fato que muito incomoda, é a decisão de gabinete, sem a devida e necessária consulta à comunidade, além da ausência de laudos de especialistas na questão. A calamidade de 2008 não ensinou o prefeito. Isto surreal. |
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