Edição n. 418 - 04 de setembro de 2010

[edição 353]
2010. Ano de desafios

Este último ano da primeira década do milênio que se iniciou é um ano de enormes desafios. O saldo de 2009 foi negativo em muitos sentidos. Lembro de alguns deles. A superação da crise com algum crescimento econômico não aconteceu. A construção das moradias para desabrigados, vítimas do desastre do ano anterior também não. A 15ª Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas foi uma frustração completa. Não é que o ano de 2009 não tenha sido um ano de coisas boas. Muitas ocorreram. As principais dizem respeito ao gradativo sepultamento do ideário neoliberal em todo o mundo. Mas precisamos reconhecer que foi um ano deficitário para as grandes questões locais e mundiais. Este é o desafio para 2010.
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O programa 2010

Algumas coisas já estão programadas para o ano de 2010 e estarão incorporadas ao nosso cotidiano. Carnaval (Sommerfest para os Blumenauenses), Copa do Mundo (na África do Sul antecedendo 2014 no Brasil), Eleições Nacionais (Presidente, Congresso, Governadores, Assembléias Legislativas). As eleições para a reitoria da FURB também mobilizarão uma comunidade de aproximadamente 15 mil pessoas. Um programa importante com ingredientes da nossa identidade nacional: samba, futebol e política. Envolvem sentimentos, gostos e emoções. O sentimento nacional encarnado no carnaval, no futebol e em “Lula” – o Filho do Brasil, com o enorme apoio da opinião pública poderão se converter em meros arremedos do populismo vazio ou poderão contribuir para o envolvimento afetivo e efetivo da população na construção de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável e solidário. Somente neste caso o programa de 2010 contribuirá para o enfrentamento dos desafios gerados pelo déficit de 2009 com mais saúde, educação, paz e respeito à vida humana e não humana.
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Desastre

Mais distante de nós desta vez o desastre vivido por milhares de pessoas é um fenômeno televisivo. Mas não menos desprovido de dor e desespero do que a nossa experiência de 2008. Agora assistimos os desastres de Angra dos Reis, São Paulo e Rio Grande do Sul. Dezenas de mortes, milhares de desabrigados. As imagens de Angra dos Reis são muito parecidas com as do Morro do Baú. Cada vez mais os desastres demonstram que não são fenômenos localizados. Dizem respeito a um jeito de nossa sociedade negar a “lógica” da natureza e a solidariedade humana. Desastres questionam a lógica econômica dominante. Angra dos Reis vive do turismo. O desastre afugentou os turistas. Lição: o turismo pode ser tão predatório quanto qualquer outra atividade econômica.


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