Edição n. 419 - 08 de setembro de 2010

[edição 355]
Zilda Arns, um anjo

Em 2002, quando eu ainda era deputado, pedi, num discurso, o endosso da Câmara Federal à indicação de Zilda Arns para o Nobel da Paz. O apoio foi dado e foi unânime, mas os suecos preferiram, naquele ano, premiar o ex-presidente americano Jimmy Carter. Zilda não perdeu nada, ela foi muito maior do que o Nobel e do que o Carter. Mas, o mundo perdeu a oportunidade de reconhecer o verdadeiro caminho da paz: o trabalho da Pastoral da Criança. Zilda Arns morreu em Porto Príncipe, Haiti, no último dia 12, da mesma maneira como sempre viveu: amando o próximo. No caso dela, mais do que a si mesma. Se você acredita em anjos, fique certo: desde aquele dia 12 há mais um deles no Céu.
[edição 355]
Lula, o filho: não vi e não gostei

Filme sobre a vida do Lula patrocinado por empresas que receberam financiamentos do Governo? Nem de graça. E com apoio da Camargo Corrêa? Nem pela graça do ar-condicionado no verão de Blumenau. Não sei se pelas mesmas minhas implicâncias, mas o fato é que o povo também está com um pé atrás: o filme-propaganda do Lula é um fracasso. Lançado espetacularmente em 430 salas de cinema pelo País afora, a expectativa do cordão de puxa-sacos era de um tremendo sucesso, milhões de espectadores chorando comovidos, o maior público da história deste País. E está perdendo feio, por exemplo, para “Alvin e os Esquilos 2”. No segundo fim de semana do ano Alvin foi visto por 640 mil pessoas e Lula por 102 mil. Agora a esperança do cordão é o “esquema sindical”. O Filho do Brasil está sendo oferecido pela metade do preço aos sindicalizados. Depois serão instalados telões em tudo que é biboca onde não há cinema. Tudo para que o povo brasileiro possa venerar esse extraordinário Filho do Brasil, o presidente Lula da Silva. O problema, porém, dos Goebbels dos novos tempos é que o povo, pelo jeito, já sentiu o cheiro da enganação.
[edição 355]
Convergências estivais

Jorge Bornhausen, que sabe tudo de política, costuma dizer que um partido que tem dois candidatos não tem nenhum. Até o fim do ano o PSDB tinha dois pretendentes à Presidência da República: o governador de São Paulo José Serra e o de Minas, Aécio Neves. No conceito de Jorge, portanto, os tucanos não tinham candidato. Hoje eles têm um. Ficou o Serra. E as candidaturas presidenciais estão praticamente definidas: Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva, talvez ainda Ciro Gomes. Em Santa Catarina, o mesmo afunilamento está acontecendo, embora por vias mais tortas. A “tríplice aliança” dos quatro partidos que apóiam LHS está, aparentemente, convergindo para Raimundo Colombo. Ângela e Ideli talvez cheguem a um acordo. Caminhamos, aqui, para um mano-a-mano.


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