Edição n. 419 - 08 de setembro de 2010

[edição 357]
O ócio necessário

Após um mês em férias na Paraíba, retomo algumas atividades profissionais em Blumenau, ainda com alguns resquícios do ócio atribuído de forma generalizada aos nordestinos, quase que exclusivamente aos que moram (ou vivem) por lá. O espanto inicial foi com o intenso movimento nos aeroportos, nos hotéis e pousadas lotados, com festas ao gosto do populacho, envolvendo grandes artistas nacionais. Até a virada do ano teve duas festas distintas, uma promovida pela Prefeitura da capital e outra pelo Governo do Estado, pois os dois titulares do Executivo são, cada um pelo seu partido, candidatos à cadeira e à caneta de governador. No clima assentado de polarização, o que não faltam são os boatos de adesão, traição e formação de alianças variadas, dentro dos partidos ou não.
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O outro lado

Como não voto mais por lá, me detive a caminhar, tomar água de coco a R$ 1,00, frequentar a barraca Pé na Areia, sucedânea da Barraca do Pau Mole, vítima demolida da polarização política já citada. Lá, entre profissionais liberais, políticos com mandato ou não, vagabundos variados e jornalistas, pude ouvir e aprender sobre a visão dos que não têm mais cargos nos governos, perderam a chupeta pública, como dizem alguns amigos em Blumenau. Então, quem não tem coluna em jornal, blog ou portal na rede, usa e abusa do expediente de asseverar qualidades de aliados e ressaltar supostas debilidades de caráter dos adversários. Em meados de janeiro, fui ao lançamento de um portal exclusivo sobre política da Paraíba, onde o editor jurou independência e neutralidade na descrição dos fatos políticos, afirmando, em seguida, que no portal haveria espaço para anunciantes de uma ou outra coloração política. Aliás, que usa vermelho é tido como eleitor do governador José Maranhão (PMDB), enquanto quem usa amarelo é tido como partidário do prefeito da capital Ricardo Coutinho (PSB), que agora é aliado do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB.
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As cores do riso

Me contaram que o capitão Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, tinha um grande desgosto: nunca tinha visto um homem corado – toda vez que se apresentava, o interlocutor ficava pálido ou amarelava. Sabedor que sou da valentia de alguns na Paraíba e entre uma água ou outra, fui fazer a barba. Fiquei espantado com o barbeiro, que passou creme Bozzano no pincel e cuspiu nele, passando na minha cara. Reclamei, claro, mas um amigo interveio e me disse: você tem sorte porque ele não te conhece, pois com a gente ele cospe é na cara mesmo. Ao final o barbeiro perguntou: “arco, tarco ou quer que mui?” (Traduzindo: Álcool, talco, ou quer que molhe?). Por isso, entre outras razões, deixei de fazer parcialmente a barba.


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