Edição n. 418 - 04 de setembro de 2010
A letra desconhecida do Hino Nacional
Matéria publicada na edição 358, no dia 05-02-2010




A parte instrumental do Hino Nacional Brasileiro, eleito um dos mais alegres do mundo pelo jornal britânico The Guardian, não foi composta à toa. Ali existia, na verdade, uma letra, escrita por Américo de Moura, presidente da província do Rio de Janeiro durante os anos de 1879 e 1880. A estrofe fala sobre quando o País tornou-se independente de Portugal, chamando os brasileiros a seguirem “sempre avante!”.

Segundo o professor e maestro Frank Graf, quando o hino foi oficializado em 1922, “a letra foi cortada para que ele não ficasse historicamente remetido à Independência do Brasil – 7 de setembro de 1822”. Além disso, outro fator contribuiu para a retirada do trecho: reconhecimento das notas por parte dos ouvintes. O professor explica que uma introdução instrumental era necessária para que as pessoas não começassem a cantar de repente, com o início rápido da letra, e então correr o risco de desafinar.

Para quem estudava isso não era problema. Nas aulas de Moral e Civismo, os estudantes aprendiam, entre outros assuntos, lições sobre os hinos nacionais e como cantá-los. A disciplina já não existe mais, mas a partir de setembro do ano passado, uma lei de autoria do deputado federal Lincoln Portela, torna obrigatório que escolas públicas e particulares de todo o país executem o hino nacional pelo menos uma vez por semana.



História



A letra do Hino Nacional, comemorado em 13 de abril, é um culto às belezas e riquezas naturais do País e menciona acontecimentos da história brasileira.

Desde que os portugueses chegaram ao Brasil, foram necessários mais de 300 anos para que um hino nacional fosse criado. A atual música foi composta por Francisco Manuel da Silva, entre 1822 e 1823, para celebrar a Independência do Brasil. Duas letras foram escritas então. A primeira quando Dom Pedro I abdicou do trono e a segunda na época da coroação de Dom Pedro II. Ambas foram esquecidas e durante o segundo reinado, o hino era executado sem qualquer canção.

Após a proclamação da República, com a intenção de apagar os principais símbolos monárquicos, foi realizado um concurso para a criação de um novo hino. A reação contrária foi tamanha, que o governo republicano decidiu manter aquela primeira música como oficial.

Dezessete anos depois surgiu outro concurso para acrescentar uma letra. Em 1909, os versos do poeta e jornalista Joaquim Osório Duque-Estrada foram os escolhidos e a oficialização ocorreu em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência.



Eia avante Brasil



Quem conhece esta letra são aqueles que estudaram o Hino Nacional durante as aulas da já extinta disciplina de Moral e Civismo.



Espera o Brasil

Que todos cumprais

Com o vosso dever.

Eia avante, brasileiros,

Sempre avante!



Gravai com buril

Nos pátrios anais

Do vosso poder.

Eia avante, brasileiros,

Sempre avante!



Servi o Brasil

Sem esmorecer,

Com ânimo audaz

Cumpri o dever,

Na guerra e na paz,

À sombra da lei,

À brisa gentil

O lábaro erguei

Do belo Brasil.

Eia sus, oh sus!



A palavra “SUS” é uma interjeição originária do latim e significa coragem, ânimo, sendo que no hino ela significa avante, em frente.




 


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